quarta-feira, 7 de maio de 2025

Araucária recebe apresentação do projeto "Biblioteca de Dança" na BIPA, neste sábado (10)

     

Foto: Carlos Poly/SMCS
No sábado (10), Araucária recebe novamente o projeto “Biblioteca de Dança”, iniciativa que transforma artistas em “livros vivos”. A apresentação vai acontecer na Biblioteca Municipal Emiliano Perneta (BIPA), às 8h30, com entrada gratuita e interpretação em libras.

    Idealizado pelos artistas Jorge Alencar e Neto Machado, o projeto propõe um novo modo de arquivar e transmitir experiências da dança, valorizando o encontro sensível entre artistas e espectadores ao redor das mesas das bibliotecas.     O grupo já se apresentou na terça-feira (06) no mesmo local, com casa cheia.

Leia a matéria completa aqui.



SERVIÇO
BIBLIOTECA DE DANÇA
Local: BIPA – Biblioteca Municipal Emiliano Perneta (R. Prof. Alfredo Parodi, 427 – Centro)
10/05/2025 (sábado) – das 8h30 às 11h30 (com interpretação em Libras)
Entrada gratuita.
Classificação livre.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Léia Belitzki lança livro de poesias na BIPA

Na próxima sexta-feira, dia 01/07, a Biblioteca Pública de Araucária receberá o lançamento do livro "Intensidades, entre poesia e sentimento", de Léia Belitzki, que traz uma seleção poética que explora reflexões e sentimentos, inserindo o leitor em um universo de infinitas experiências de sensibilidade. A obra, além de poemas e micropoemas, apresenta fragmentos que possibilitam uma verdadeira viagem pelo mundo da poesia. A autora é professora e atua na Educação de Jovens e Adultos em Araucária e no Atendimento Educacional Especializado em Curitiba.  
 
SERVIÇO
LANÇAMENTO DO LIVRO 'INTENSIDADES, ENTRE POESIA E SENTIMENTO'
01/07/2022 | 18h | Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta 
 
Entrada gratuita
Preço do exemplar: R$ 35,00

Mais informações pelo telefone / WhatsApp (41) 3614-7639 


Saiba mais sobre a Feira de Troca de Livros que ocorre esta semana na BIPA

Com o objetivo de incentivar a leitura, a Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta tem promovido, mensalmente, feiras de troca de livros de literaturas. 

Desde março de 2022, na última semana de cada mês, a BIPA reserva um espaço para exposição dos livros disponíveis para troca.

Para participar, basta que o interessado leve um livro de literatura (romance, autoajuda, infantil, juvenil etc) em bom estado de conservação e escolha outro de sua preferência. Para cada livro oferecido, o interessado poderá escolher outro.

Nesta semana, a Feira de Troca de Livros da BIPA ocorrerá de 27/06 a 02/07, no horário normal de funcionamento. 

SERVIÇO
A Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta fica localizada na Rua Alfredo Parodi, 427, Centro. 
 
FUNCIONAMENTO
Segunda a Sexta-Feira, das 08h às 17h
Sábado, das 08h às 12h



domingo, 10 de janeiro de 2021

14 obras de José de Alencar para baixar gratuitamente

O site A Casa de José de Alencar, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, disponibilizou 14 obras (no formato PDF) do pai do romance brasileiro para download.
Dentre as obras completas estão “O guarani” de 1857, “Til” de 1871, “Senhora” de 1875 entre outros. É possível fazer o download também dos textos de algumas peças de teatro, como a comédia "Verso e Reverso", de 1857, além de trechos de manuscritos do escritor como o “Como e Porque Sou Romancista”, a autobiografia intelectual de Alencar.

Abaixo seguem os links de cada obra:

ROMANCES:

TEATROS

MANUSCRITO

 

 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

BIPA segue com as atividades suspensas

As atividades da Biblioteca estão suspensas desde o dia 18 de março, em atendimento ao Decreto Municipal 34.357/2020. Decretos posteriores determinaram a normalização do funcionamento de comércios, de alguns setores públicos e o fim do isolamento social, mas não determinou a reabertura de espaços culturais que contenham acervos como bibliotecas, museus e arquivos históricos. Deste modo, os funcionários da Biblioteca retomaram suas atividades em serviços internos, sem atendimento ao público. 

Acervos em papel, tais como livros e similares, documentos, fotografias etc, são considerados vetores em potencial de transmissão de qualquer vírus. Em um período em que lidamos com um vírus altamente letal, a recomendação de órgãos como o Sistema Nacional de Bibliotecas e o Grupo de Profissionais em Informação e Documentação (GPID) é de que as atividades de espaços culturais que contenham acervos permaneçam suspensas durante toda a pandemia e, pelo menos, até a eliminação do risco para o público.

No que concerne exclusivamente à nossa biblioteca pública municipal, outro fator importante a se considerar são os equipamentos de informática (telecentro), cujo compartilhamento também pode ser classificado de alto risco de transmissão do coronavírus.

DEVOLUÇÕES
Informamos ainda que os livros, DVDs, CDs e outros materiais emprestados poderão ser devolvidos quando a Biblioteca retornar às suas atividades normais, sem qualquer prejuízo ao usuário. A Biblioteca entrará em contato via telefone, whatsapp e/ou e-mail e informará pelas redes sociais sobre o funcionamento do setor.

Colocamo-nos à inteira disposição para mais informações e esclarecimentos pelo whatsapp 41 3901 5204, a qualquer horário, em qualquer dia.

Informações também podem ser obtidas pelo endereço eletrônico biblioteca@araucaria.pr.gov.br ou pelo Messenger do Facebook (facebook.com/smctbipa).


Equipe BIPA

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O Benefício da Dúvida | Ferreira Gullar

"Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.

De qualquer maneira, se se trata de um indivíduo qualquer que se julga dono da verdade, a coisa não vai além de algumas discussões acaloradas, que podem até chegar a ofensas pessoais. O problema se agrava quando o dono da verdade tem lábia, carisma e se considera salvador da pátria. Dependendo das circunstâncias, ele pode empolgar milhões de pessoas e se tornar, vamos dizer, um "führer".

As pessoas necessitam de verdades e, se surge alguém dizendo as verdades que elas querem ouvir, adotam-no como líder ou profeta e passam a pensar e agir conforme o que ele diga. Hitler foi um exemplo quase inacreditável de um líder carismático que levou uma nação inteira ao estado de hipnose e seus asseclas à prática de crimes estarrecedores.

A loucura torna-se lógica quando a verdade torna-se indiscutível. Foi o que ocorreu também durante a Inquisição: para salvar a alma do desgraçado, os sacerdotes exigiam que ele admitisse estar possuído pelo diabo; se não admitia, era torturado para confessar e, se confessava, era queimado na fogueira, pois só assim sua alma seria salva. Tudo muito lógico. E os inquisidores, donos da verdade, não duvidavam um só momento de que agiam conforme a vontade de Deus e faziam o bem ao torturar e matar.

Foi também em nome do bem - desta vez não do bem espiritual, mas do bem social - que os fanáticos seguidores de Pol Pot levaram à morte milhões de seus irmãos. Os comunistas do Khmer Vermelho haviam aprendido marxismo em Paris não sei com que professor que lhes ensinara o caminho para salvar o país: transferir a maior parte da população urbana para o campo. Detentores de tal verdade, ocuparam militarmente as cidades e obrigaram os moradores de determinados bairros a deixarem imediatamente suas casas e rumarem para o interior do país. Quem não obedeceu foi executado e os que obedeceram, ao chegarem ao campo, não tinham casa onde morar nem o que comer e, assim, morreram de inanição. Enquanto isso, Pol Pot e seus seguidores vibravam cheios de certeza revolucionária.

É inconcebível o que os homens podem fazer levados por uma convicção e, das convicções humanas, como se sabe, a mais poderosa é a fé em Deus, fale ele pela boca de Cristo, de Buda ou de Muhammad. Porque vivemos num mundo inventado por nós, vejo Deus como a mais extraordinária de nossas invenções. Sei, porém, que, para os que crêem na sua existência, ele foi quem criou a tudo e a todos, estando fora de discussão tanto a sua existência quanto a sua infinita bondade e sapiência.

A convicção na existência de Deus foi a base sobre a qual se construiu a comunidade humana desde seus primórdios, a inspiração dos sentimentos e valores sem os quais a civilização teria sido inviável. Em todas as religiões, Deus significa amor, justiça, fraternidade, igualdade e salvação. Não obstante, pode o amor a Deus, a fé na sua palavra, como já se viu, nos empurrar para a intolerância e para o ódio.

Não é fácil crer fervorosamente numa religião e, ao mesmo tempo, ser tolerante com as demais. As circunstâncias históricas e sociais podem possibilitar o convívio entre pessoas de crenças diferentes, mas, numa situação como do Oriente Médio hoje, é difícil manter esse equilíbrio. Ali, para grande parte da população, o conflito político e militar ganhou o aspecto de uma guerra religiosa e, assim, para eles, o seu inimigo é também inimigo de seu Deus e a sua luta contra ele, sagrada. Não é justo dizer que todos pensam assim, mas essa visão inabalável pode ser facilmente manipulada com objetivos políticos.

Isso ajuda a entender por que algumas caricaturas - publicadas inicialmente num jornal dinamarquês e republicadas em outros jornais europeus - provocaram a fúria de milhares de muçulmanos que chegaram a pedir a cabeça do caricaturista. Se da parte dos manifestantes houve uma reação exagerada - que não aceita desculpas e toma a irreflexão de alguns jornalistas como a hostilidade de povos e governos europeus contra o islã -, da parte dos jornais e do caricaturista houve certa imprudência, tomada como insulto à crença de milhões de pessoas.

Mas não cansamos de nos espantar com a reação, às vezes sem limites, a que as pessoas são levadas por suas convicções. E isso me faz achar que um pouco de dúvida não faz mal a ninguém. Aos messias e seus seguidores, prefiro os homens tolerantes, para quem as verdades são provisórias, fruto mais do consenso que de certezas inquestionáveis."

Ferreira Gullar | Folha de São Paulo | Seção Ilustrada | 19/02/2006

Fonte: adoropapel.com.br

FERREIRA GULLAR (1930-2016), pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, foi um poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro. Abriu caminho para a "Poesia Concreta" com o livro "A Luta Corporal". Organizou e liderou o movimento literário "Neoconcreto". Recebeu o Prêmio Camões, em 2010. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

terça-feira, 14 de julho de 2020

14 de julho na Roça - Raul Pompeia


O conto é a narrativa de um 14 de Julho na Roça, o feriado em que era comemorada a queda da Bastilha, vivenciado por um rico fazendeiro chamado Salustiano da Cunha, que se descobre, de uma hora para outra, um fervoroso republicano, decisão que aponta para o desajuste entre nosso meio rural e o liberalismo que grassava pela Europa. Publicado em 1883 no periódico Gazeta de Notícias, 14 de Julho na Roça é um conto que tem como cenário a expansão dos ideais abolicionistas e republicanos durante os últimos anos de nosso período monárquico.
Saiba mais sobre Raul Pompeia


14 DE JULHO NA ROÇA - Raul Pompéia

"14 de julho é a grande data. Ecoa na história com as mesmas vibrações que deve proferir sobre o mundo a trombeta de Josafá, em plena consumação dos séculos.

A Marselhesa é o gemido humano chamado às armas.


A queda da Bastilha é o pavoroso esboroamento do passado, batido pelo futuro.


A pirâmide da opressão tinha por base o grande cárcere e por vértice a coroa do rei; o povo
devasta a pirâmide de alto a baixo; arrasa o alicerce, aniquila o píncaro.


Cai a Bastilha, morre Luís XVI.


Do cataclisma ergueu-se sangrenta a grande mão do direito humano saciado, e abriu os dedos sobre aquele caos, como as irradiações de uma estrela grandiosa e serena. 


À luz deste sol, começou a desfilar a procissão dos séculos...


Curvado um dia sobre essas páginas épicas da lenda das gerações, inclinado à beira
vertiginosa do báratro onde revoluteiam os fantasmas indistintos e medonhos daquele terremoto social, refletindo na humanidade e nos seus destinos, foi assim que o Dr. Salustiano da Cunha descobriu que era republicano. 


Muito republicano; republicano de coração. De coração e de cérebro.


Um homem da época. 


Na qualidade de Campineiro abastado e farto, tinha por si a força do ouro: o elemento moderno do poderio. No século XIX, mais do que nunca, o ouro é o metal dos cetros e das alavancas: só existe para o mando e para a força... 

Ia-lhe próspera a fazenda. As suas vastíssimas terras sumiam-se, sob as ramas escuras dos cafezais, plantados em linha, através de infinitas colinas.


As canas formavam-se por milheiros ao longo das várzeas, imitando tudo respeitáveis fileiras de incógnita milícia. As folhas do canavial refletiam o sol, como se fosse o aço de cem mil baionetas; as plantações de milho sacudiam belicosamente os penachos roxos, como as insígnias gloriosas de um imenso estado-maior.


Tudo ali estava perfilado e firme, como se faltasse apenas o grito de marcha, para os batalhões precipitarem-se... 


O Dr. Salustiano, com as mãos nas cadeiras, por baixo do pala de brim, contemplava, ufano, aquele exército fantástico que tinha sob o seu comando absoluto e despótico.
 

O próprio céu parecia fugir para cima, com o seu azul e com as suas estrelas, amedrontado por aquelas hostes, mais arrogantes, sem dúvida, que as dos bárbaros do norte, que tinham lanças para escorar o próprio firmamento.

Era um homem forte, portanto, o nosso doutor.


Podia soltar gargalhadas às barbas da prepotência corruptora do rei; podia rebelar-se, como Lúcifer, e rir do paraíso perdido; podia gritar que viesse abaixo a tirania, e recusar um
arqueamento da espinha à majestade sagrada do direito divino. 


Viva a República!


A santa causa encontrava nele um pulso valente para o combate.


Cada golpe da sua durindana democrática e demolátrica seria uma vitória para o grande partido dos direitos do homem canonizados! 


O Dr. Salustiano era entusiasta. Estava disposto a declarar guerra a tudo que não fosse
democracia republicana. Só curvaria a fronte ante a aristocracia do talento.


Para isso verdejavam-lhe os cafezais pingues; para isso, o canavial afiava as folhas umas nas outras, como espadas, e o milho cabeceava empenachado como um marechal. 


Daí vinha-lhe a força.


(...)"


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